Porquê Olhar os Animais?

Os animais são sempre os observados. O facto de poderem observar‑nos perdeu qualquer significado. O que deles sabemos é um indicador do nosso poder, e portanto um indicador do que deles nos separa.

Esta recolha de ensaios, escritos entre 1971 e 2001, retrata a degradação da nossa relação com a natureza na era do consumismo moderno – e, em particular, a redução dos animais (outrora no centro da existência humana) à categoria de espectáculo, companhia ou produto de consumo. O ensaio que dá nome ao livro descreve o tortuoso percurso do animal: de divindade espiritual e musa inspiradora na arte primitiva a, hoje em dia, fonte de entretenimento, confinado a circos e jardins zoológicos, tornado «monumento vivo da sua própria desaparição». Numa prosa livre e erudita, com apurado sentido da alegoria e da força evocativa dos instantes, John Berger recorda-nos das múltiplas funções (reprodutivas, mágicas, sacrificiais) da figura animal – detendo o olhar sobre o rato encurralado ou a andorinha que irrompe pela janela – para responder à pergunta que ressoa: porquê, afinal, olhar os animais?

PVP €15.00

John Berger
John Berger (1926-2017), crítico de arte, pintor e escritor inglês, ícone da contracultura e um dos pensadores mais influentes dos nossos dias, avançou contra a corrente num tempo de especialistas e especializações. Em quadros, ensaios, poemas, ficções, argumentos para cinema ou programas de televisão, foi plural também nas suas inspirações, tomando interesse nas franjas da sociedade (os presos, os camponeses, os migrantes) como exemplos de resistência em face da ignomínia de governos e mercados. Foi para escapar a essa infâmia, aliás, que Berger se exilou durante mais de 50 anos na França rural.

Ganhou o Man Booker Prize em 1972 com o seu romance experimental feminista G., e o seu ensaio mais famoso, Modos de Ver, escrito nesse ano após o êxito retumbante da série homónima da BBC, é uma referência na crítica de arte ainda hoje estudada por académicos e redescoberta pelo público. Com um olhar curioso sobre o mundo, com os pés assentes na terra e as mãos a revolvê-la, soube como poucos expor, ao longo da obra e da vida, as suas convicções políticas, contradições e metamorfoses.

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